O Filho Pródigo ou As Aventuras Insólitas de Texas Kid
Texas Kid estacionou em seu Cadillac em frente ao posto de gasolina do Seu Edemar. Os óculos Ray-Ban modelo aviador e o colete jeans lhe davam um jeitão de caminhoneiro. O cabelo volumoso jogado para trás ora lembrava James Dean, ora Johnny Cash. Suas calças de couro eram mais justas que as de Jim Morrison e sua carteira de identidade mostrava que, na verdade, Texas Kid era Edemar Alcides Nascimento Júnior.
O velhinho de boné sentado em uma cadeira de praia em frente ao posto levantou-se. Sabia que era problema. Sempre que Texas Kid aparecia, era problema. Ainda mais sob o sol de 42 graus do verão californiano, que na verdade era o interior do Piauí.
Texas desceu do carro e foi cumprimentar seu pai. “O que foi dessa vez, Junior?”, perguntou Seu Edemar. “Já disse que é Texas Kid, pai”. “Não enrola, o que foi dessa vez? Dinheiro? Mulher? Briga? Jogo?”, Seu Edemar não agüentava mais, estava ansioso pela resposta, para que pudesse repreender o filho.
“Pai, te trouxe uma coisa”, disse Texas. Agachou-se dentro do carro, fazendo com que suas nádegas se apertassem batmamente dentro daquela calça de couro. Ao levantar-se, carregava um misterioso pacote envolvido em papel pardo. “Feliz aniversário, pai”. Os olhos de Seu Edemar encheram de lágrimas. Os de Texas também. Resolveram ir para longe da plantação de cebolas.
Já distantes das cebolas, os dois se despediram e Texas embarcou novamente em seu Cadillac, rumo ao deserto do Arizona, que era na verdade o Ceará. O velho, carregando o pacote em seus braços, dirigiu-se até o interior do posto, onde colocou seu presente sobre uma mesa e o abriu.
Enquanto isso, Texas Kid se deu conta do erro fatal que acabara de cometer, ao olhar para trás e ver a churrasqueira portátil embrulhada em papel pardo no banco de trás, quando era para estar, na verdade, com seu pai. “Puta que me pariu! Deixei a coca com o velho!”, gritou consigo mesmo antes de frear o carro bruscamente e dar meia-volta no asfalto ardente.
Lá voltava Texas Kid, dirigindo a 150 km/h, voltando para reverter aquela situação. Suas mãos suavam. A direção estava molhada e escorregadia, fazendo com que Texas perdesse o controle do carro, que foi parar exatamente no mesmo lugar onde, anos antes, a companhia elétrica havia colocado um poste. Para a infelicidade do nosso herói, dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço.
No posto de Seu Edemar, o corpo do velho, cercado de pó branco, jazia inutilmente no chão. “Esse foi o melhor presente que eu já recebi em toda a minha vida”, foi seu último pensamento, antes de cheirar sua última carreira e morrer de overdose.

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